Para 2010 a Kawasaki introduziu na sua 450 inúmeras alterações que, apesar de subtis, vieram fazer bastante efeito na sua condução, pela positiva. O motor foi inclinado 3º para a frente, de forma a centralizar as massas e assim aumentar a agilidade global e tracção. Tem agora um pistão semelhante ao usado nas motos de fábrica, com pontes de reforço junto ao veio da biela e com menos 6 mm na saia. As árvores de cames foram também redesenhadas, e receberam tratamento anti-fricção para uma subida de rotação mais precisa e rápida. No caso da admissão, a mesma foi avançada em dois graus de forma a coincidir com os novos mapas de ignição e proporcionar uma subida mais vigorosa de médios para altos regimes. Uma nova cambota, com mais massa, veio contribuir para uma redução significativa de vibrações do motor e para uma tracção superior. O escape foi redesenhado, contando agora com menos 40 mm. Com a nova cambota, escape e um novo mapeamento de injecção, as baixas rotações vieram ganhar uma outra vida, com mais vigor, tornando a transição para médias mais linear. A embraiagem é totalmente nova, contando com um peso inferior e uma circulação de óleo melhorada, contendo os discos mais 75% de material de fricção comparativamente ao modelo de 2009.
O quadro foi revisto, nomeadamente na zona da coluna de direcção, para uma maior precisão, assim como o braço oscilante e o conjunto de bielas para um maior equilíbrio geral. As suspensões Kayaba AOS recebem o tratamento já conhecido em DLC, de forma a reduzir o atrito, e contam com molas mais macias assim como novas afinações. No amortecedor Kayaba foi colocado uma mola mais macia e dada nova afinação que contribui para uma maior estabilidade. Novos radiadores com maior superfície e mais leves, contribuem para melhores prestações em mangas longas. Procurando não aumentar a largura, as tampas dos radiadores foram redesenhadas, de forma a manter uma ergonomia correcta. No banco foi utilizado material mais durável.
Quando nos sentamos na KX 450F ficamos com a sensação que se trata de uma moto "grande", algo comprida e de certa forma pesada, mas essa ideia fica completamente ultrapassada após colocada em andamento. Uma ou duas "kickadas" é o suficiente para o motor começar a trabalhar, seja em que situação for, nesse aspecto a Kawasaki sempre se mostrou fácil. O motor tornou-se mais dócil mas não menos eficaz, com um poder de tracção soberbo. Toda a faixa de potência é utilizável, permitindo assim evitar mudanças de caixa e entrar em curva numa mudança mais alta, já que basta rodar o acelerador e o motor responde logo sem hesitações. Quando "enrolamos" cabo é bom que estejamos bem seguros, pois o novo mapeamento é notório. A subida de rotação é instantânea, linear e parece nunca mais acabar.
A leitura de terreno é fantástica, todos os pequenos impactos são absorvidos de forma impressionante, fluida, sem nunca atingir o fim do curso em impactos maiores. O desempenho do motor é ajudado pelo amortecedor, que ajuda a colocar toda a potência no chão. Relativamente a impactos mantém-se o nível das suspensões, tornando esta KX-F num conjunto muito estável. Para a fazer parar contamos com discos de 250 mm à frente e 240 mm atrás. Apesar de doseável e não ter acusado fadiga, um disco de dimensões ligeiramente superiores à frente seria bem-vindo, aumentando um pouco a potência e diminuindo a força na manete. O travão traseiro, cumpre de maneira correcta qualquer exigência. As pastilhas são de nova especificação, mais duráveis, mas mantendo o mesmo desempenho de travagem.
De uma maneira geral é uma moto eficiente, fácil, e a curvar parece que vai sobre um carril, sendo que peca apenas pela sua falta de agilidade em troços mais sinuosos ou para uma utilização mais "endurista".

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| Motor |
| Tipo |
monocilíndrico 4 tempos, refrigeração por líquido |
| Distribuição |
4 válvulas DOHC |
| Cilindrada |
449 cc |
| Diâmetro x curso |
96 x 62,1 mm |
| Potência declarada |
n.d. |
| Binário máximo |
n.d. |
| Alimentação |
injecção electrónica Keihin, corpo de 43mm Ø |
| Ignição |
CDI |
| Arranque |
por pedal |
| Embraiagem |
disco em banho de óleo |
| Caixa |
5 velocidades |
| Ciclística |
| Quadro |
perimétrico em liga de alumínio |
| Suspensão dianteira |
forquilha invertida Kayaba 48 mm Ø, 315mm de curso |
| Suspensão traseira |
monoamortecedor Kayaba, 315 mm de curso |
| Travão dianteiro |
disco recortado Nissin 250 mm, pinça de duplo pistão |
| Travão traseiro |
disco recortado Nissin 240 mm, pinça de duplo pistão |
| Pneu dianteiro |
80/100-21'' |
| Pneu traseiro |
120/80-19'' |
| Dimensões |
| Distância entre eixos |
1.480 mm |
| Altura ao solo |
340 mm |
| Altura do assento |
965 mm |
| Peso (cheio) |
113,5 kg |
| Capacid. do depósito |
7 litros |
| Preço |
8.101 Euros |
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